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Com 100 anos e muita disposição, Seu Juca Martins ainda exerce algumas funções. Muito querido, faz parte da história do Formiga desde a construção do estádio Juca Pedro.

Seu Juca é mais velho que os dois. Mas tem uma explicação. Natural da cidade, foi ele quem ajudou a construir o estádio, e há 60 anos foi convidado para morar no Juca Pedro. A ligação com o palco e o Formiga era tão grande que ele deu um jeito de ficar bem perto dos dois. Seu Juca construiu a casa dentro do próprio estádio.

– Eu ajudei a construir o estádio, a arquibancada e o gramado. Depois, o presidente do Formiga, José Vaz, na época, me convidou para morar no estádio junto com minha esposa. Sou muito grato a ele – lembrou.

Louco pelo "Formigão", a adaptação ao local foi rápida. A condição de morador passaria, anos depois, para a função de zelador. E foram 40 anos de dedicação ao Juca Pedro nos novos afazeres. Era Seu Juca quem vigiava o estádio, fechava os portões, varria as arquibancadas e cuidava do gramado. Por causa da idade, deixou a função há quatro anos. Mesmo sem a agilidade de antes e usando bengala, ainda tem prazer em deixar tudo organizado.

– Aposentei. Aqui tinha serviço o tempo todo. Mas eu aguentei firme, graças a Deus. Enquanto eu pude trabalhar certinho na enxada, na ferramenta, eu trabalhei. Hoje eu tenho um rapaz que me ajuda no serviço mais pesado, eu fico só dando as ordens do lado de fora – detalhou.

Do seu cantinho, Seu Juca já presenciou muitas histórias. Nos tempos áureos do Formiga, chegou a ver o clube vencer Cruzeiro e Atlético-MG no Juca Pedro. Mas o jogo que não esquece foi a vitória por 5 a 1, sobre o Villa Esporte Clube, time rival da cidade, no campeonato local de 1994.

– Foi uma alegria para nós. Parou a cidade – lembrou. 

A provocação foi tanta que a data ficou conhecida como "Dia do Massacre" e foi eternizada no estádio. O calendário do time, hoje, é de poucos jogos. E quando não vê o uniforme azul no gramado, sente falta. Quando joga e perde, Seu Juca é só tristeza.

– Eu não acho bom, não. Eu fico triste. Perco o almoço. Até chorar eu chorei. Então, enquanto eu viver, para eu sair daqui, só carregado – brincou.

 

 

 

 

 

 

Muito querido, sorridente, sempre disposto e atarefado, Seu Juca divide a casa com a sobrinha. A esposa faleceu há quatro anos. A moradia rendeu, e ainda rende muitos amigos. Zé Augusto do Patrocínio, o famoso Zé Camarada, é um deles. Há mais de 50 anos está sempre na casa de Juca, e há seis convive diariamente por causa dos serviços prestados no estádio. 

– Eu considero ele como um irmão. Nenhum irmão meu faz o que ele faz para mim. Eu chego aqui todo dia de manhã, e ele me serve café. Tem hora que eu chego aqui, não passo na casa, ele vai atrás de mim para servir o café. Antes de trabalhar aqui, eu morava na fazenda, amarrava o cavalo no poste e ia conversar com ele. É longa nossa amizade – conta Zé Camarada.

 

Em junho, Seu Juca completou o centenário e reuniu amigos em uma festa no próprio estádio. E, assim, vai cuidando do estádio Juca Pedro, e mais do que isso, juntando histórias para contar. 

– No meu aniversário reuni mais de 200 pessoas. Tenho amigos demais, até as diretorias e presidentes que eu amo. É a valorização do meu trabalho prestado ao Formiga e ao Juca Pedro – concluiu o “eterno zelador”.

Zé Camarada - Funcionário do FEC

Juca Martins - Zelador do FEC

Jogo - Formiga 5 x 1 Vila - O dia do Massacre

Juca Martins - Zelador do FEC